Especialista analisa por que companhias com estratégia financeira sólida e governança estruturada conseguem atravessar ciclos econômicos adversos
Em um cenário marcado por juros elevados, crédito mais seletivo e maior volatilidade econômica, empresas brasileiras têm sido desafiadas a rever suas estratégias para garantir sustentabilidade e crescimento. Nesse contexto, a combinação entre gestão eficiente de investimentos e governança corporativa estruturada emerge como um dos principais diferenciais competitivos um verdadeiro “binômio da resiliência”, na avaliação do economista Paulo Narcélio Simões Amaral.
“A disciplina na alocação de capital, aliada a uma governança sólida, permite que a empresa tome decisões mais assertivas mesmo em ambientes adversos. Isso reduz riscos e aumenta a capacidade de adaptação”, afirma o especialista.
Dados do Banco Central do Brasil indicam que o custo de capital no país permaneceu elevado ao longo de 2024 e início de 2025, impactando diretamente o planejamento financeiro das empresas. Nesse ambiente, decisões equivocadas de investimento podem comprometer não apenas resultados, mas a própria sobrevivência do negócio.
Alocação de capital ganha protagonismo
A gestão de investimentos deixou de ser apenas uma função financeira para assumir papel estratégico dentro das organizações. A escolha de onde, quando e como investir passou a ser determinante para a geração de valor.
Segundo Paulo Narcélio Amaral, o foco deve estar na eficiência: “Empresas resilientes priorizam investimentos com retorno claro e previsível. Em ciclos de incerteza, preservar caixa e evitar alavancagem excessiva é fundamental”.
Governança fortalece decisões e reduz riscos
Paralelamente, a governança corporativa tem ganhado relevância como ferramenta de controle e transparência. Estruturas bem definidas, com processos claros de tomada de decisão, contribuem para reduzir riscos e aumentar a confiança de investidores e parceiros.
O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa destaca que boas práticas de governança estão associadas à geração de valor sustentável e à longevidade das organizações. Para Paulo Narcélio Amaral, a governança é o elo que conecta estratégia e execução: “Não adianta ter um bom plano de investimentos sem uma estrutura de governança que garanta disciplina e consistência na execução”.
Resiliência construída na prática
Empresas que conseguem integrar gestão financeira e governança tendem a responder melhor a choques econômicos. A capacidade de ajustar rapidamente estratégias, revisar custos e reavaliar prioridades é um dos principais diferenciais em momentos de crise.
Dados da Serasa Experian mostram que o aumento da inadimplência corporativa e dos pedidos de recuperação judicial nos últimos anos reforça a importância de uma gestão mais estruturada e preventiva. Nesse cenário, companhias que adotam práticas consistentes conseguem não apenas mitigar impactos negativos, mas também identificar oportunidades em meio à instabilidade.
Visão de longo prazo como diferencial competitivo
A construção de resiliência empresarial está diretamente ligada à capacidade de pensar no longo prazo. Isso envolve decisões de investimento alinhadas à estratégia do negócio e uma governança capaz de sustentar esse direcionamento ao longo do tempo.
“A empresa resiliente não é aquela que evita crises, mas aquela que está preparada para enfrentá-las. E essa preparação passa, necessariamente, por gestão de investimentos e governança”, conclui Paulo Narcélio Amaral.
Em um ambiente econômico cada vez mais complexo, o alinhamento entre estratégia financeira e governança corporativa se consolida como um dos principais pilares da competitividade empresarial. Para empresas brasileiras, investir com disciplina e gerir com transparência deixou de ser uma escolha e passou a ser uma condição para sobreviver e crescer.
foto: cedida/assessoria