Médico geneticista potiguar integra pesquisa internacional entre USP e Harvard sobre doença genética rara

 

O geneticista potiguar Matheus Castro está entre os pesquisadores envolvidos em um importante estudo internacional que reúne a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e a Universidade de Harvard. A iniciativa busca aprofundar o conhecimento sobre uma doença genética rara associada ao gene ATP1A3 e pode abrir caminhos para o desenvolvimento de terapias inovadoras. Em Natal, o médico é um dos destaques da Clínica Médica do DNA Center.

A pesquisa, que também conta com a participação de centros de referência como o Boston Children’s Hospital e o Massachusetts General Hospital, investiga alterações na chamada “bomba de sódio e potássio” dos neurônios, uma estrutura fundamental para o funcionamento do sistema nervoso. Quando essa função é comprometida, surgem uma série de sintomas neurológicos que podem impactar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Segundo o Dr. Matheus Castro, as manifestações da doença são variadas e, muitas vezes, começam ainda na infância. “As condições associadas ao ATP1A3 são bastante heterogêneas. A principal apresentação clínica é a hemiplegia alternante da infância, que pode começar com movimentos oculares descoordenados e evoluir para crises de fraqueza, rigidez muscular ou até epilepsia”, explica o especialista.

De forma simplificada, a doença afeta a comunicação entre os neurônios. Isso pode causar episódios de paralisia temporária em partes do corpo, dificuldades motoras, atraso no desenvolvimento e, em alguns casos, crises neurológicas persistentes ao longo da vida. Em quadros mais raros, os sintomas podem surgir apenas na fase adulta, com rigidez muscular contínua.

A pesquisa tem como foco o acompanhamento clínico de pacientes já diagnosticados, permitindo entender como a doença evolui ao longo do tempo. Esse monitoramento é essencial para embasar estudos laboratoriais que, no futuro, podem resultar em tratamentos mais eficazes. “Por ser uma doença extremamente rara, ainda temos poucos dados, especialmente em pacientes brasileiros. A expectativa é entender melhor essa evolução em uma população miscigenada como a nossa e, a partir disso, desenvolver novas formas de tratamento”, destaca o médico.

Um dos diferenciais do projeto é a colaboração internacional, que permite o intercâmbio de conhecimento e o uso de tecnologias avançadas. “Essa parceria é essencial porque possibilita a transferência de tecnologia e a capacitação de profissionais brasileiros, além de acelerar o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas”, afirma.

Quem é Matheus Castro?

A participação no estudo também marca um momento importante na trajetória do especialista, que iniciou sua formação em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde se formou com mérito acadêmico. Em seguida, fez residência em Genética Médica pela USP e especialização em Neurogenética e Erros Inatos do Metabolismo na mesma instituição.

“Para mim, é uma enorme honra fazer parte de uma equipe internacional com grandes referências. É também uma oportunidade de trazer esse conhecimento de volta para o Brasil e contribuir com o cuidado dos nossos pacientes”, ressalta.

Além da atuação na pesquisa, Matheus Castro integra o corpo clínico do DNA Center, onde atende pacientes com doenças genéticas e oferece suporte em casos complexos. O especialista também realiza aconselhamento genético e consultorias médicas. Ele mantém agenda periódica em Natal e estará com atendimentos presenciais nos dias 4 e 5 de maio, na unidade localizada na Rua Major Laurentino de Morais, no bairro do Tirol.

  Revista Negócios
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