Fim da escala 6x1 pode elevar custos e pressionar preços de serviços

 

Setores de segurança e limpeza alertam para impacto superior a 20% e risco de repasse ao consumidor

A proposta de fim da escala 6x1, em tramitação no Congresso Nacional, acendeu um alerta no setor produtivo, especialmente em segmentos intensivos em mão de obra. Entidades patronais apontam que a medida, embora tenha apelo social, pode gerar aumento relevante de custos operacionais e impacto direto nos preços de serviços essenciais.

Áreas como segurança privada e limpeza estão entre as mais sensíveis à mudança, por operarem com atividades contínuas. De acordo com estimativas da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist), a alteração na jornada pode gerar até 8,7 horas extras semanais por trabalhador. No curto prazo, empresas devem tentar ajustar escalas com o quadro atual, mas não descartam novas contratações.

Segundo o empresário potiguar Edmilson Pereira, vice-presidente da Fenavist, o impacto financeiro pode chegar a 20% no setor de segurança, com tendência semelhante ou até superior nos serviços de limpeza. “Esse aumento deve ser repassado aos contratos e, consequentemente, ao consumidor final”, afirma. Ele também alerta para efeitos colaterais, como redução da capacidade de investimento, avanço da informalidade e pressão sobre o emprego formal.

O debate já mobiliza entidades nacionais. Um manifesto da Confederação Nacional da Indústria (CNI), assinado por mais de 800 representantes, estima impacto inflacionário de até 6,2% nos preços gerais e 5,7% nos alimentos, além de um custo adicional entre R$ 178 bilhões e R$ 267 bilhões para as empresas. Para o setor produtivo, o desafio é equilibrar ganhos trabalhistas com a sustentabilidade econômica das operações.

foto: Magnific</

  Blog Jeanny Damas
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